Para sonhadores... Deixem-se levar... O blog mudou de cores, mas os sonhos são os mesmos...

29
Jun 10

 

A história repete-se e Portugal volta a depositar toda a sua esperança num guarda-redes. É Eduardo que sucede a Ricardo, levantando o orgulho português. Tem-se revelado imbatível e faz parte do 11 de eleição da FIFA. E, tal como o nosso herói Ricardo, faz aquilo que o seleccionador não é capaz: faz-nos acreditar que é possível!

Hoje o adversário é difícil e o duelo ibérico promete um jogo repleto de espectáculo e emoção mas, no fim, só um vencedor.

A selecção espanhola é a favorita mas Portugal tem cartas fortes para jogar.

O pior que nos pode acontecer é ser eliminada uma equipa na qual nunca depositámos muita fé guiada por um treinador que não nos convence. E ainda por cima frente aos campeões europeus, com os talentos criativos de David Villa, Torres e Iniesta.

 

Mas sonhar... nunca é demais. E esperar que a nossa defesa sólida e o nosso grande guardião não se deixem bater, enquanto Liedson, Hugo Almeida, Cristiano ou Simão procuram o caminho da vitória. Força Portugal.

 

publicado por Vânia Caldeira às 14:09
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12
Fev 10

 

Este governo poderia ser, sem dúvida, apelidado de o "governo silencioso". Porque o nosso primeiro-ministro não fala quando deve. E porque quando o faz, mais valia estar calado.

Este incompreensível mandato, que tem tanto de incompreensível na lógica com que o país tem sido governado (um país em que as prioridades continuam a ser o TGV e o novo aeroporto), como de incompreensível tem o facto de o povo o ter feito triunfar nas urnas, começou, também ele, com medidas a favor do silêncio. Afinal, a primeira lei permitiu calar os homossexuais, que ficaram contentes da vida por finalmente terem acesso a um direito que não é deles. Medida fundamental para o país, como é por demais evidente.

Agora, e depois da dissimulada tentativa de controlar efectivamente os meios de comunicação, através da procura de aquisição de parte dos mesmos, nomeadamente a Media Capital e a Impresa, chega a derradeira medida de censura. Directa ou indirectamente, houve uma tentativa de silenciar o Jornal "Sol", um dos poucos que, ao lado do "Público", continua invicto na sua meta pela liberdade de expressão e pela descoberta da verdade, sem medos de pressões superiores ou de prováveis consequências. Felizmente consegui um dos muitos exemplares, entretanto esgotados. E posso erguê-lo como estandarte da liberdade a que nos habituámos. A que temos direito. Aquela que não nos podem roubar.

E é o que tem vindo a ser feito. Não se pode dizer que vivamos um regime autocrático com uma disciplina de censura. Seria uma verdadeira ofensa às vítimas desses mesmos regimes. Não... pelo menos, ainda não. Enquanto eu ainda puder publicar um texto com este conteúdo, sem o carimbo supra representado ou sem quaisquer represálias, não o poderemos afirmar. De qualquer forma há indícios. Indícios de que tudo o que os membros do governo possam eventualmente (e saliento o eventualmente) ter feito, não tem interesse e não justifica abertura de inquéritos. Não justifica seguimento. É simplesmente disfarçado, distorcido, arquivado. Casa Pia. Freeport. Face Oculta.

O que interessa e o que é para cumprir são ordens de outra classe, como a providência cautelar emitida à edição do jornal Sol. Felizmente o sol hoje voltou a nascer e com ele a luz sobre acontecimentos, que só o presidente do Supremo, parece achar irrelevantes. Bem-haja por isso ao Jornal Sol.

A liberdade de imprensa ainda existe. E somos nós que também a fazemos. Temos o direito à informação e ao conhecimento. Mas, sobretudo, à verdade.

 

 

Portugal é um país de acostumados. Não nos podemos calar quando vemos que nos roubam o pilar base da nossa democracia. Temos de exigir explicações. O primeiro-ministro não pode permanecer nesse confortável silêncio.

Cada um de nós é importante e tem um contributo a dar: procurando a verdade, ainda que nos vendem os olhos; escutando os indícios, por mais barulho que façam; e emitindo opiniões, ainda que nos tentem calar. Que se ergam as vozes contra o silêncio. E que nasça hoje e sempre o sol da liberdade de expressão, para que não sejamos esmagados pelo peso irascível da censura. Já Sophia de Mello Breyner dizia:

 

"Gritava como se estivesse só no mundo,
como se tivesse ultrapassado

toda a companhia e toda a razão
e tivesse encontrado a pura solidão.
Gritava contra as paredes, contra as pedras,
contra a sombra da noite.

Erguia a sua voz como se a arrancasse do chão,
como se o seu desespero e a sua dor
brotassem do próprio chão que a suportava.
Erguia a sua voz como se quisesse atingir com ela
os confins do universo e aí,
tocar alguém, acordar alguém, obrigar alguém a
responder.
Gritava contra o silêncio."

 

publicado por Vânia Caldeira às 14:58

08
Jan 10

 

Ainda bem que Portugal é um país moderno... Afinal, é o nono país do mundo a legalizar o casamento homossexual. Provavelmente é desta que o número de casamentos vai subir de forma estrondosa, ao contrário da tendência que se tem vindo a registar. Ainda que sejam casais de marido e marido. Ou de mulher e mulher.

Mas lamento profundamente que seja este o tema que preocupa o parlamento. Lamento profundamente que um país que se quer moderno, não tenha um conceito de democracia moderno, e não tenha permitido aos cidadãos serem chamados a decidir através do referendo (que a esquerda fez questão de chumbar). Já para não falar na prática castradora da disciplina de voto partidária. Felizmente não se lembraram de aprovar a adopção. Até ver...

Bem-haja aos deputados do CDS-PP e PSD que hoje souberam estar sentados.

Lamento que o país não se preocupe mais com a modernização em áreas fulcrais da sociedade, como a saúde, a educação ou a tecnologia. Mas o que está na moda é o TGV e o novo aeroporto. E ser gay. E ser de esquerda.

Ainda bem que não pertenço ao mundo do futebol, onde a liberdade de expressão (pelo menos aquela que lesa os senhores árbitros) não existe, caso contrário ainda seria suspensa como o Paulo.

 

Que estranho país moderno que nós temos...

publicado por Vânia Caldeira às 15:57

22
Ago 08

 

Nélson saltou, carregando com ele as esperanças e expectativas de todos os portugueses. O nosso desejo, a nossa ambição. Um fardo pesado, é certo. Mas Nélson conseguiu levá-lo até à marca dos 17,67 metros. Nesse salto ele teve a força e determinação que faltam ao país.

 

 

Depois levou-nos a passear nas suas costas na volta de honra, enquanto erguia a bandeira nacional num orgulho banhado a lágrimas.

E, por fim, subiu bem alto no pódio. E também aí nos carregou. A nós e à quarta medalha de ouro de que reza a história portuguesa em Jogos Olímpicos. Quando se ouviu tocar o hino português o país esqueceu tudo para se lembrar que, às vezes, os sonhos até valem a pena. Obrigada por nos teres levado a sonhar e, sobretudo, por nos teres feito voltar a acreditar!

Nélson é o novo campeão olímpico do triplo salto! Obrigada e parabéns, Nélson!

 

publicado por Vânia Caldeira às 22:35

19
Ago 08

A menina dos olhos dos portugueses não desiludiu e está de parabéns! Trouxe prata com sabor a ouro, tendo em conta tanto a sua enorme dedicação, como a excelente prova da atleta australiana que se sagrou vencedora. E foi um orgulho e um alívio, tendo em conta a escassez dos resultados lusitanos. A triatleta teve direito ao justo lugar no pódio. Triunfou a enorme ambição de Vanessa. Mas não uma qualquer ambição vazia de conteúdo... Uma ambição sustentada pelos pilares da qualidade, do trabalho, do esforço e dedicação. O orgulho que sempre ostenta em representar as cores do seu país. Ela acreditou que podia estar no pódio e nós também. Uma jovem que teve de abdicar de uma juventude "normal" para se dedicar inteiramente às ferozes exigências da competição. Pela sua desmedida vontade de vencer e por toda a sua dedicação, Vanessa está efectivamente de parabéns! Além disso, ela é uma verdadeira lição de vida para todos nós: um exemplo de perseverança, entrega, confiança e humildade.

Entretanto ontem também valeu a pena permanecer acordada às 3h da manhã para ver o brilhante desempenho do triatleta português Bruno Pais. Particularmente no troço de ciclismo, o Bruno fez uma prova espectacular, conseguindo estar sempre entre os 10, 15 primeiros e nunca largando o pelotão principal. Na corrida ficou um pouco para trás, mas conseguiu manter a mesma posição e a mesma garra ao longo do resto da prova, tendo terminado num excelente lugar: 17ª posição. Está também ele de parabéns.

Naide Gomes foi mais uma desilusão. Era des atletas favoritas para a subida ao pódio nestes Jogos e, mais uma vez, falhou a missão com dois saltos nulos e um inexplicável 6,29... E se nem ela sabe como foi possível esta eliminação, não sou eu que me vou pôr aqui a divagar. Até porque o caso está perdido.

No ténis de mesa há boas notícias com Marco Freitas a tornar-se no primeiro praticante luso a passar uma ronda nos Jogos Olímpicos, após vencer ao egípcio por 4-1.

Resta a esperança em Nélson Évora, ele que se conseguiu apurar com facilidade para a final do triplo salto. E é dos tais atletas que se destaca pela entrega e pela humildade... Merecia um lugar no pódio... Boa sorte, Nélson!

 

 

E, curiosamente, no seu grande dia, Vanessa chamou a atenção para um problema que parece estar a dominar estes Jogos Olímpicos em Pequim: a falta de empenho e o espírito libertino de alguns atletas. E verdade seja dita que têm dado provas disso: foi o caso de Marco Fortes que só mostrou fraqueza e falta de carácter ao afirmar que a prova de lançamento do peso lhe correu mal porque "de manhã só é bom é na caminha". Ou o caso da vergonhosa prestação de Vânia Silva no lançamento do martelo, tendo conseguido dois lançamentos de menos 9 metros do que o seu recorde, e que ainda afirmou: "Não sou feita para este tipo de competições." Este tipo de afirmações e de atitudes não são admissíveis a atletas que vão representar o nome do país. Parece que foram apenas de férias para Pequim, sem vontade, confiança ou ambição. E, sobretudo, sem um mínimo de vergonha na cara!

O velejador Gustavo Lima que poderia estar de parabéns, afinal conquistou um belíssimo 4º lugar na Medal Race (esteve tão perto das medalhas!), acabou por perder algum do brilhantismo. É certo que veio, também ele, alertar para uma situação que, infelizmente, continua a acontecer: a enorme falta de apoios aos atletas portugueses que, obviamente, comparados com os estrangeiros estão em grande desvantagem. Apesar da justiça da sua causa, Gustavo não soube como a defender e fê-lo de um modo muito errado, recorrendo a comparações com Vanessa Fernandes, que tiveram um contorno que eu apostaria poder chamar-se "inveja". É triste que estas intrigas continuem a ser construídas quando é o nome de Portugal que está a ser representado a nível mundial. Mas enfim... Perante tudo isto percebe-se a decisão de se retirar do presidente do Comité Olímpico Português, depois de ter exigido "brio e profissionalismo" aos seus atletas.

Não invejem apenas o sucesso e a medalha da Vanessa, invejem também o enorme trabalho dela. Sigam o exemplo dela: "E nado, pedalo, e corro." E conseguiu! Porque é mesmo boa? Também. Mas porque tem mais entrega e dedicação num único dedo, do que muitos outros em todo o corpo!

publicado por Vânia Caldeira às 18:29
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20
Jun 08

 

Sonhámos...

Com a garra de sempre, com a vontade de vencer, com o talento para ganhar...

Acreditámos até ao fim, até aos últimos 4 minutos, com a esperança inabalável que sempre nos moveu, aquela esperança, a única, capaz de mover o país, capaz de encher de orgulho os portugueses.

Sonhámos, mas assim ditou o nosso fado, que mais uma vez não nos foi muito favorável.

Sonhámos

e agora o sonho acabou!

 

 

Obrigada por nos terem feito sonhar, por nos terem levado a acreditar e, sobretudo, por terem lutado até ao fim!

Apesar da desilusão, continuaremos a acreditar. Hoje e sempre, porque é dessa massa que é feito o povo português!

Obrigada por tudo!

 

Adeus Scolari e até sempre!

 

 

 

publicado por Vânia Caldeira às 11:01

18
Jun 08

 

"Portugal vive grave crise social. Toda a gente sabe isto. Os jornais repetem diariamente os contornos do drama, sucedem-se manifestações e protestos, a oposição orienta nesse sentido as críticas crescentes. Ninguém tem dúvidas de que, em vez das prometidas recuperação e prosperidade, caímos em séria perturbação económica. Mas o que está mesmo a acontecer de novo? Quais os factos concretos que sustentam este clima depressivo? Onde está a tão propalada crise social?

Quem pretender responder séria e serenamente a estas questões encontra obstáculos inesperados. A economia não está em recessão, nem sequer próxima; o crescimento económico abrandou ligeiramente do nível baixo que tem há anos. O desemprego não subiu, nem se prevê que venha a subir muito para lá do nível alto em que permanece há bastante tempo. Mesmo nos preços, em que os rumores dos mercados do petróleo e alimentos prometem terríveis desenvolvimentos, as mudanças são mínimas: a inflação acelerou, mas para níveis aceitáveis e, apesar dos esforços jornalísticos, nunca mais se dá um efeito sério que justifique tanto barulho. De facto, o cenário económico que as instituições respeitáveis traçam para o futuro próximo do nosso país não é catastrófico. Pelo contrário, parece copiado da situação que vivemos há algum tempo.

Nos indicadores sociais, pobreza e desigualdade, o quadro disponível ainda se refere apenas a 2006. Devido à superior complexidade do fenómeno, os números andam atrasados e ninguém arrisca previsões seguras. Mas também aí a situação parece ser de continuidade. A taxa de pobreza em Portugal, calculada segundo as regras da UE, há dez anos que flutua à volta de 20% da população. O último valor publicado, de 2006, até registou uma descida para 18%. Os desenvolvimentos posteriores assinalam uma redução, não um aumento da indigência. Os pobres não têm automóvel e não são muito afectados pelo preço do petróleo. Além disso os empregos não especializados têm grande procura e falta de candidatos. Como entretanto a imigração abrandou e a emigração aumentou, é provável que a referida tendência de redução dos pobres continue após 2006.

(...)

Quer tudo isto dizer que não temos uma crise social? Não. Quer dizer que a crise que sofremos é bastante mais subtil e complexa do que as abordagens comuns asseguram. Existem muitos sinais, não de um agravamento do fundo da escala social, mas de sérias dificuldades nos extractos imediatamente acima. A nossa crise social está na classe média.

Uma parte importante da população portuguesa, que tinha algumas posses e muitas ambições, acreditou nos discursos que os governantes andam a produzir há dez anos. Apostou na educação, comprou casa e carro, endividou-se ao banco. Depois veio o desemprego, doença, trabalho precário, prestações crescentes. Em vez de subir, caiu em grandes dificuldades. Normalmente ainda tem património, a casa hipotecada, carro velho, mas não sabe o que porá no prato esta noite. É uma pobreza envergonhada, desiludida, revoltada. Este é o verdadeiro rosto da nossa crise social.

As políticas contra a pobreza não vão aliviar as dificuldades. Como os responsáveis, que criaram a situação, ainda não a perceberam, conceberão medidas complexas, mas ao lado dos sofrimentos. Alvoroçados, não pelo problema, mas pelo ataque político, proporão programas que calem os críticos, sem resolver o drama."

 

João César das Neves

publicado por Vânia Caldeira às 21:00

21
Nov 07

Não é novidade que a vida é uma roleta russa, capaz de nos surpreender em cada instante. Por isso mesmo, há muitas coisas na minha vida que não tenho como certas. O meu cepticismo desconfiado e o medo de arriscar ajudam neste sentido. No entanto, havia uma certeza que eu tinha e que foi, muito recentemente, destruída. Independentemente de quantas voltas este mundo pudesse dar: eu não esperava deixar de saber escrever português!

Para quem me conhece, esta faceta não é nova, os outros que a descubram agora: adoro o português, acho que é uma língua lindíssima e extremamente rica, odeio (e irritam-me de uma forma incalculável para alguns) erros ortográficos!

As últimas notícias apontam para um novo acordo ortográfico (ou protocolo modificativo) que introduzirá algumas novidades, dizem os crentes e, certamente, os que vêem neste acordo a esperança de algum dia escreverem português correctamente. Eu digo que esse acordo quer desconstruir o português...

Como é que esperam de um dia para o outro dizer-me que devo escrever hospital sem h (sim, sem dúvida que as novas siglas do Hospital Santa Maria serão OSM) ??? Ou, de repente, pedem-se que escreva úmido? Segundo essa nova norma, eu deveria escrever: ato (em vez de acto), ótimo (óptimo), batismo (baptismo), ação (acção)... Vêem perderá o acento circunflexo... para quê esse preciosismo, quando "veem" soa tão bem...

Será só a mim que este novo acordo se revela extremamente aberrante?! Dizem os defensores que querem unificar a língua. Uma coisa conseguirão certamente: diminuir a taxa de erros ortográficos dos que nunca souberam escrever português (os tais que são adeptos do úmido, ato e batismo...) e aumentar as incorrecções (e a revolta) daqueles que sempre primaram pelo seu conhecimento das regras do português escrito.

Não tendo nada contra os brasileiros, devo assumir que a ortografia do Brasil me põe, literalmente, os "nervos em franja". Não são poucas vezes que "corrijo" esta ortografia para a usada em Portugal nos livros de Medicina que leio em português do Brasil.

Parece castigo! Agora terei de "abrasileirar" (hoje dou-me ao luxo de inventar palavras) a minha escrita. Deixaremos de escrever em português-padrão, para escrever em português do Brasil.

Curioso é que os entendidos do assunto admitem que a nova norma alterará cerca de 1,6% do vocabulário português e apenas 0,45% do vocabulário do Brasil. Porque será?

Não são eles que terão de se adapar à língua portuguesa, mas nós que teremos de passar a escrever como eles. Porque não deixar de lhe chamar língua portuguesa: língua brasileira faria muito mais sentido.

 

Claro que a estratégia é brilhante... e visa diminuir a taxa de erros de ortografia. Os que nunca souberam escrever, passam a saber. De repente, tornam-se espertos. Os espertos (porque por algum motivo o são e porque têm uma capacidade de adaptação e aprendizagem superiores) acabarão por adaptar-se às novas regras... Teremos um país (aparentemente) mais esperto. Um país de aparências, como de costume.

 

Mantenho a esperança de que esta ideia não passe de um boato ou de mais uma má ideia inconcretizada do actual governo. E, claro, não abdico da convicção de que saber escrever português é muito mais do que ("apenas") saber falar!!!

 

Para quem ainda não reparou, daqui a alguns meses, irão considerar-me uma verdadeira iletrada que não percebe nada de ortografia portuguesa, tendo em conta o considerável número de erros que cometi neste post (segundo o novo acordo).

publicado por Vânia Caldeira às 19:49

14
Set 07

 

Numa noite parece que Luis Felipe Scolari passou de bestial a besta... Incompreensivelmente!

Eu estava em Alvalade a ver o jogo. Não foi das melhores exibições da equipa, nem de longe, nem de perto. Depois do golo precoce exigia-se um esforço acrescido, não para manter o resultado ao longo de todo o jogo, mas para garantir um 2.º golo e um domínio do adversário. Em vários momentos a equipa portuguesa adormeceu, deixou-se levar, facilitou... Quaresma e Moutinho devia ter entrado mais cedo... E porque a nossa sina é, além de sofrer incondicionalmente, ter azar: mais um golo irregular, mais um erro de arbitragem. Como disse Scolari, curiosamente estes erros, estas falhas, estas injustiças ocorrem sempre com os mesmos, sempre em Portugal!

 

No fim: o culminar de todas as emoções acumuladas ao longo do jogo. Ao sentimento de fracasso juntou-se o de injustiça. Quem estava no estádio viu, repentinamente, um grande aparato, uma enorme confusão, sinónimo indubitável de problemas! Mas quem estava no estádio também viu os jogadores adversários provocarem, não só os nossos jogadores e seleccionador, como o próprio público com gestos repletos de gozo, ironia e vazios de qualquer tipo de respeito ou fair play.

 

Um homem deu a cara por um país: Scolari. Não será certamente a primeira vez que isso acontece. A situação torna-se mais impressionante quando esse homem defende exaltado um país que não o seu! Scolari afirma ter partido em defesa de Quaresma. Parece-me bem que ele defenda os seus jogadores. A atitude não foi bonita, nem louvável, enquanto tentativa de agressão desprovida de fair play. No entanto, Scolari apenas não teve o mesmo fair play que também falou aos sérvios: logo, nada de chocante!

Após repetidas observações às imagens chego sempre à mesma conclusão: Scolari tenta efectivamente "tapear" (como o próprio assume) o jogador da Sérvia; Scolari não defende Quaresma com a sua atitude... Scolari defende sim um país que não é o seu, mas cujas cores adoptou, cujas lágrimas tornou suas, cujas alegrias proporcionou. Naquele gesto irreflectido, Scolari defende o orgulho de um país de uma forma totalmente descontrolada, louca, gesto resultante da mágoa e da irritação de um país com tudo para voar, não fossem as asas serem constantemente cortadas...

 

Zidane poderia ter sido o melhor jogador do mundial, não fosse aquele gesto (tão irreflectido como o de Scolari) em que dá uma cabeçada a Matterazzi. Chocante a atitude de Zidade? Sem dúvida que se esperava dele uma maior frieza, reflexão, maturidade... mas com o calor das emoções tudo pode mesmo acontecer: e o menos bonito aconteceu! Não me pareceu excessivamente chocante o gesto e sobretudo não me pareceu totalmente inesperado! Chocante é ele ter sido mesmo considerado o melhor jogador do Mundial. Chocante é o assunto ter sido silenciosamente esquecido, com uma amnésia muito curiosa e selectiva, a amnésia apenas permitida aos grandes, aos poderosos... e sobretudo aos não-portugueses! Chocante é Cristiano Ronaldo não ter sido considerado o melhor jogador jovem, por falta de fair play... Chocante é que a medida não seja igual para todos e que uns possam agir emocionalmente, descontroladamente... e outros não!

 

Mas tudo isso é normal! Estamos habituados a isso como portugueses! E por isso mesmo, o mais chocante de tudo é que de um momento para o outro tenham surgido tantas pessoas ofendidas, sensibilizadas, assustadas e chocadas com o caso, prontas a crucificar Scolari! Motivo (daquelas que dão a cara nas televisões, das conhecidas de todos): umas têm apenas que dizer qualquer coisa (lembro-me de um comentador da SIC, de ética duvidosa e sentido de imparcialidade inexistente para sequer poder comentar os outros), outros querem mesmo apoderar-se do lugar do seleccionador (recordo-me de um indivíduo, que tem aparecido na TV apenas para dizer mal de Scolari e a quem daria imenso jeito ter de novo lugar na selecção)... O público em geral padece da doença típica do nosso povo: somos mais duros com os nossos do que com os outros. A prova: o caso McCann, em que só tardiamente a maioria de nós (grupo em que me incluo) começou a duvidar e a abrir os olhos...

 

Quem esteve no estádio viu um gesto irreflectido, inacreditável, chocante,...

Eu vi o estádio mais bonito de sempre! O Estádio de Alvalade (por si só magnífico) repleto de tons de verde e vermelho, repleto de adeptos desde bem cedo, trajados a rigor, ostentando com orgulho desmedido tops, camisolas, lenços, cachecóis, bandeiras,... Ostentando as cores nacionais bem alto, cantando o hino com sentimento, vibrando com a selecção e com o país.

 

Eu vi o homem que uniu um país em torno do futebol e do próprio país! Eu vi um brasileiro ser capaz de sofrer como português, de perder e ganhar como português e de encher não apenas estádios, mas ruas, casas, carros, barcos, motos, cafés... com as cores nacionais.

 

E no jogo esse mesmo homem passou-se e partiu em defesa de um país! Que não o dele... mas o NOSSO!

 

Perante tudo isto, perante o seu incontestável trabalho na selecção, perante o seu enorme carácter e perante o seu coração do tamanho do mundo... a atitude tomada no jogo não provou que Scolari é um treinador menos capaz, um líder menos eficiente, como muitos querem fazer crer. Provou sim, que Scolari sofre mesmo com os nossos jogadores, com a nossa selecção, com o nosso país... Provou que as emoções fortes falaram mais alto e ocultaram a razão. Provou que Scolari é mais português e, por isso, o melhor para dar a cara pelo nosso país.

Scolari conseguiu (como nenhum outro português) unir um povo. Tem todo o meu reconhecimento e o meu agradecimento. Se para unir um povo, for preciso dar a cara por ele, sair em defesa dele, sujeitar-se a eventuais consequências e se para tudo isso, ele sempre teve coragem... qualquer "tapa" (que não chegou a existir) vale a pena!

 

Obrigada Scolari!!!

 

 

publicado por Vânia Caldeira às 12:43

09
Fev 07

A poucas horas do final da campanha já quase tudo foi dito, por vezes disseram-se mesmo coisas excessivas, coisas impróprias, coisas... ditas só por dizer.

Parece que o sim tem potencialidades para ganhar... sinceramente, espero que não passem de estatísticas por apurar.

Primeiro que tudo seria bom que os portugueses, no domingo, se decidissem efectivamente a sair de casa. O referendo, enquanto processo legal, é a nossa oportunidade de dizermos o que achamos do estado das coisas, é a nossa oportunidade de mandar um pouco, de mandar no nosso pedaço de mundo. Ao abstermo-nos vamos aumentar a falta de credibilidade do mesmo e pô-lo em causa. É importante que pensemos no acto de votar, como um direito e como um dever.

Depois... cada um terá a sua opinião. E eu tenho a minha. Tenho constatado entre amigos e colegas que votar sim está na moda. Hão-de haver aqueles que acham que é sinal de modernidade, há mesmo quem se atreva a afirmar que o sim é a ponte para que Portugal possa sair da Idade Média em que se instalou.

Além de não ser nada influenciada pelas opiniões alheias e muito menos pelas correntes ou pela moda, não concordo com nada do que tem sido dito... No Sim, não vejo a resolução do problema que todos tentam anunciar, mas a fuga ao mesmo problema. E aqui, apesar de demasiado vulgar, sem dúvida que a expressão tem aplicação: "se não os podes vencer, junta-te a eles." Logo, um dos grandes argumentos do Sim (e eu até compreendo que não é fácil fazer campanha pelo sim, os argumentos escasseiam quando se atenta contra uma vida), tem sido que o não propõe que as coisas permaneçam como estão e o sim a mudança. Ora, isto é, perante a incapacidade do estado português de controlar e impedir os abortos clandestinos, legalizam-se os mesmos, tornando tudo mais fácil, sobretudo para o próprio governo que, assim, já não pode ser acusado de incompetência. Porque não legalizar também as drogas? Já que o governo não controla o tráfico... (ou vão dizer-me que só na questão do aborto é que continuam a praticar-se ilegalidades?)

Por outro lado, o Sim também se tem refugiado numa imagem marcante (ou nem por isso): mãos femininas atrás das duras grades. Nos últimos 30 anos não houve uma única mulher presa por ter cometido um aborto ilegal. Ora, mais uma vez, esse argumento também não me comove. Temos de proteger aqueles que não têm voz ainda, os mais fracos, as únicas vítimas desta situação.

Mas o auge das opiniões pró-escolha, foi o comentário de Lídia Jorge quando se referiu ao ser humano até às 10 semanas, como "essa coisa humana". Como escritora, em primeira instância, não foi certamente feliz na escolha das palavras, desonrando as letras com a sua ignorância e insensibilidade. Diz que vota pela modernidade, defendendo-se com os argumentos mais medievais que já ouvi.... Enfim...

 Oito anos depois do primeiro referendo, há uma generalização crescente da facilidade com que as pessoas têm acesso à informação. O acesso a contraceptivos tem sido facilitado. A protecção deve ser a palavra de ordem... o aborto deve ser uma excepção e não banalizado ao ponto de se, "por opção da mulher" (e é isso que diz a pergunta) até às 10 semanas, pode ser considerado um cómodo contraceptivo.

Aterroriza-me a banalização do aborto... Aterroriza-me a opinião de médicos a favor da escolha, quando essa escolha compromete uma vida, quando essa escolha é resultado de uma mera "opção" egoísta da mulher. E eu sou mulher... Defendo que a mulher manda sempre no seu corpo, mas neste caso, não se trata apenas do seu corpo... mas de uma criança que vai ser gerada. E por mais que tentem fugir à questão, tentem evitar ficar sem resposta perante perguntas difíceis, não nos podemos esquecer que o milagre da vida começa no momento da concepção. Nesse momento há todo um padrão genético que é criado: a cor dos olhos, do cabelo, certos traços físicos e mesmo psicológicos, estão ali, naquela maravilhosa mistura genética" . Às 10 semanas o coração já bate... Como é que um médico tem coragem de dizer que é a favor da escolha e contra a vida? ...

E depois restam as questões éticas... Agora, apenas por opção da mulher, pode fazer-se actuar uma "selecção não natural" e podem passar a abortar-se crianças com pequenos problemas facilmente resolvidos depois do nascimento ou por vezes mesmo durante a gestação.

E ainda outra questão não esclarecida... relativa, na minha opinião, a um dos públicos alvo: as jovens grávidas, menores de idade? Quem decide. Segundo a coerência dos argumentos aquela referida "opção da mulher" deveria ser delas. O corpo é delas... Mas, no entanto, são menores de idade, é suposto necessitarem de autorização dos pais. Isto só prova que os problemas continuam a não ser resolvidos, apenas deixados e acumulados para trás. Muitas das vezes, as mulheres decidem fazer aborto, não por "opção sua" propriamente dita, mas coagidas por familiares ou pelo respectivo pai da criança. Estas jovens continuam a não ter opção... e a deixar que os outros decidam por si.

Mais não digo... Se o sim ganhar, e tenho-me estado a tentar (infrutiferamente) preparar para essa situação, tudo vai mudar. Para melhor? Certamente não! Desacreditem-se aqueles que afirmam que o número de abortos vai diminuir, porque não vai. Aumenta, obviamente (e é esse o objectivo do sim) o número de abortos legais, agora com uma condição única: "até às 10 semanas por opção da mulher". Eventuais mulheres que poderiam ser dissuadidas pelo facto de ser ilegal ou ser incomum, com a legalização e consequente banalização do mesmo, isto representa um incentivo que poderá influenciar a sua decisão. Além disso, o sim não é a solução dos problemas. Não vão deixar de existir abortos ilegais... Nem sempre as mulheres têm tempo para realizar o aborto até às 10 semanas...

O primeiro-ministro repugna-me... Nunca há fundos, nunca há meios, para nada, nem mesmo para a Saúde, uma das áreas que deveria ser prioritária do governo. Mas para comparticipar abortos haverá... enfim...

Seria bom que as pessoas se consciencializassem da importância de uma simples palavra de três letras no referendo de domingo... Um não pode representar mais uma pessoa que vamos conhecer um dias nas nossas vidas, o sim é certamente uma condenação à morte para muitas crianças...

Se no domingo vencer o sim, é a sociedade que perde. Perde identidade, perde modernidade, perde valores, perde ... só tem a perder. Se o sim vencer, olharei para este post com a eterna mágoa banhada pelo sentimento de impotência... Mas que mais posso fazer? Nada. Apenas a garantia do meu voto no não, um não ao aborto, um sim pela vida!!!

Vânia Caldeira

"Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças."

Fernando Pessoa

 

 

Poema sem nome

 

 

Era tão pequeno que ninguém o via.

Dormia sereno enquanto crescia.

Sem falar, pedia - porque era semente -

ver a luz do dia como toda a gente.

Não tinha usurpado a sua morada.

 Não tinha pecado.  Não fizera nada.

Foi sacrificado enquanto dormia,

esterilizado com toda a mestria.

Antes que a tivesse, taparam-lhe a boca

- tratado, parece, qual bicho na toca.

Não soltou vagido. Não teve amanhã.

Não ouviu "Querido"... Não disse "Mamã"...

Não sentiu um beijo. Nunca andou ao colo.

Nunca teve o ensejo de pisar o solo,

pezito descalço, andar hesitante,

sorrindo no encalço do abraço distante.

Nunca foi à escola, de sacola ao ombro,

nem olhou estrelas  com olhos de assombro.

Crianças iguais à que ele seria,

não brincou com elas nem soube que havia.

Não roubou maçãs, não ouviu os grilos,

não apanhou rãs nos charcos tranquilos.

Nunca teve um cão, vadio que fosse,

a lamber-lhe a mão à espera do doce.

Não soube que há rios e ventos e espaços.

E invernos e estios.  E mares e sargaços.

E flores e poentes. E peixes e feras

as hoje viventes e as de antigas eras.

Não soube do mundo. Não viu a magia.

Num breve segundo, foi neutralizado com toda a mestria.

Com as alvas batas, máscaras de entrudo,

técnicas exactas, mãos de especialistas

negaram-lhe tudo ( o destino inteiro...)

 - porque os abortistas nasceram primeiro.

Renato de Azevedo


publicado por Vânia Caldeira às 20:19

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