Para sonhadores... Deixem-se levar... O blog mudou de cores, mas os sonhos são os mesmos...

04
Ago 08

 

"The Dark Knight". Um grande filme, uma intriga excelente e um elenco de luxo. Com grandes actuações de Christian Bale, Aaron Eckhart, Morgan Freeman e Michael Caine. Porém, é inevitável que as atenções, ao longo de todo o filme, se centrem num único actor: Heath Ledger. É impossível tirar os olhos dele e da sua extraordinária performance. A última. A melhor. E, por isso, queremos absorver toda a sua actuação, aproveitar e desfrutar da sua arte de representar... Uma última vez.

O Joker (Coringa) é um personagem complexo e incompreensível, possuído pela loucura, com um olhar obsessivo e penetrante, um tique maníaco com a língua, o rosto alterado pintado de branco e tingido de vermelho. Um sorriso forçado com esse vermelho sangue. As cicatrizes. A personagem sinistra pode hoje ser vista como um presságio do que acabou por acontecer.

 

 

Este foi, literalmente, o papel da vida de Heath Ledger. E que papel! Que actuação! Verdadeiramente arrepiante. Perfeito a todos os níveis. Heath Ledger recriou esta personagem de BD de forma única, intensa e profunda. Genial. Depois de grandes promessas como "Coração de Cavaleiro", "Irmãos Grimm", "Casanova" e "Brokeback Mountain", este filme é não só a confirmação do talento deste actor, como também representa a sua entrada definitiva para a esfera dos melhores.

Infelizmente, ele não pode constatar e desfrutar o seu próprio sucesso, o fruto do seu brilhante trabalho. Que já bateu todos os recordes de bilheteiras nos Estados Unidos.

 

"Ou morres como um herói ou vives o tempo suficiente para te tornares um vilão."

(in "The Dark Knight")

 

 

Heath morreu como vilão e herói, simultaneamente. Conseguiu certamente eternizar-se através desta magnífica interpretação com vilão, e assim garantiu o sucesso como o herói de muitos dos seus fãs. Conquistou definitivamente o mundo. Surgiu uma nova lenda.

Sentimos sempre que os grandes actores que nos deliciam no grande ecrã, de alguma estranha forma nos pertencem. São algo que podemos ter como certo, algo que estará sempre lá. Sobretudo quando são jovens. Mas as leis da vida regem-se da mesma forma para todos, sempre com a mesma indiferença e injustiça...

Curiosamente no final do filme, ao contrário do que acontece na maioria, o vilão não morre. Não é castigado. Mas nós somos. Com a certeza de que não voltaremos a ver brilhar Heath Ledger. Irónico, não? A morte da tela passa para a vida real. Vale a pena perguntarmo-nos por quem acabamos por torcer ao longo de todo o filme... Pelo justiceiro de preto? Ou pela caricata e irrisória figura de cabelos loiros e sorriso inconfundível?

 

"Às vezes a verdade não é suficientemente boa. As pessoas merecem mais."

(in "The Dark Knight")

 

A verdade deste filme é uma dessas. Insuficiente. E, no entanto, tem de nos chegar e temos de nos conformar e acomodar a ela. Uma coisa é certa: Heath Ledger será sempre inesquecível!

Até sempre, Heath!

 

 

publicado por Vânia Caldeira às 11:41

21
Nov 07

Não é novidade que a vida é uma roleta russa, capaz de nos surpreender em cada instante. Por isso mesmo, há muitas coisas na minha vida que não tenho como certas. O meu cepticismo desconfiado e o medo de arriscar ajudam neste sentido. No entanto, havia uma certeza que eu tinha e que foi, muito recentemente, destruída. Independentemente de quantas voltas este mundo pudesse dar: eu não esperava deixar de saber escrever português!

Para quem me conhece, esta faceta não é nova, os outros que a descubram agora: adoro o português, acho que é uma língua lindíssima e extremamente rica, odeio (e irritam-me de uma forma incalculável para alguns) erros ortográficos!

As últimas notícias apontam para um novo acordo ortográfico (ou protocolo modificativo) que introduzirá algumas novidades, dizem os crentes e, certamente, os que vêem neste acordo a esperança de algum dia escreverem português correctamente. Eu digo que esse acordo quer desconstruir o português...

Como é que esperam de um dia para o outro dizer-me que devo escrever hospital sem h (sim, sem dúvida que as novas siglas do Hospital Santa Maria serão OSM) ??? Ou, de repente, pedem-se que escreva úmido? Segundo essa nova norma, eu deveria escrever: ato (em vez de acto), ótimo (óptimo), batismo (baptismo), ação (acção)... Vêem perderá o acento circunflexo... para quê esse preciosismo, quando "veem" soa tão bem...

Será só a mim que este novo acordo se revela extremamente aberrante?! Dizem os defensores que querem unificar a língua. Uma coisa conseguirão certamente: diminuir a taxa de erros ortográficos dos que nunca souberam escrever português (os tais que são adeptos do úmido, ato e batismo...) e aumentar as incorrecções (e a revolta) daqueles que sempre primaram pelo seu conhecimento das regras do português escrito.

Não tendo nada contra os brasileiros, devo assumir que a ortografia do Brasil me põe, literalmente, os "nervos em franja". Não são poucas vezes que "corrijo" esta ortografia para a usada em Portugal nos livros de Medicina que leio em português do Brasil.

Parece castigo! Agora terei de "abrasileirar" (hoje dou-me ao luxo de inventar palavras) a minha escrita. Deixaremos de escrever em português-padrão, para escrever em português do Brasil.

Curioso é que os entendidos do assunto admitem que a nova norma alterará cerca de 1,6% do vocabulário português e apenas 0,45% do vocabulário do Brasil. Porque será?

Não são eles que terão de se adapar à língua portuguesa, mas nós que teremos de passar a escrever como eles. Porque não deixar de lhe chamar língua portuguesa: língua brasileira faria muito mais sentido.

 

Claro que a estratégia é brilhante... e visa diminuir a taxa de erros de ortografia. Os que nunca souberam escrever, passam a saber. De repente, tornam-se espertos. Os espertos (porque por algum motivo o são e porque têm uma capacidade de adaptação e aprendizagem superiores) acabarão por adaptar-se às novas regras... Teremos um país (aparentemente) mais esperto. Um país de aparências, como de costume.

 

Mantenho a esperança de que esta ideia não passe de um boato ou de mais uma má ideia inconcretizada do actual governo. E, claro, não abdico da convicção de que saber escrever português é muito mais do que ("apenas") saber falar!!!

 

Para quem ainda não reparou, daqui a alguns meses, irão considerar-me uma verdadeira iletrada que não percebe nada de ortografia portuguesa, tendo em conta o considerável número de erros que cometi neste post (segundo o novo acordo).

publicado por Vânia Caldeira às 19:49

09
Fev 07

A poucas horas do final da campanha já quase tudo foi dito, por vezes disseram-se mesmo coisas excessivas, coisas impróprias, coisas... ditas só por dizer.

Parece que o sim tem potencialidades para ganhar... sinceramente, espero que não passem de estatísticas por apurar.

Primeiro que tudo seria bom que os portugueses, no domingo, se decidissem efectivamente a sair de casa. O referendo, enquanto processo legal, é a nossa oportunidade de dizermos o que achamos do estado das coisas, é a nossa oportunidade de mandar um pouco, de mandar no nosso pedaço de mundo. Ao abstermo-nos vamos aumentar a falta de credibilidade do mesmo e pô-lo em causa. É importante que pensemos no acto de votar, como um direito e como um dever.

Depois... cada um terá a sua opinião. E eu tenho a minha. Tenho constatado entre amigos e colegas que votar sim está na moda. Hão-de haver aqueles que acham que é sinal de modernidade, há mesmo quem se atreva a afirmar que o sim é a ponte para que Portugal possa sair da Idade Média em que se instalou.

Além de não ser nada influenciada pelas opiniões alheias e muito menos pelas correntes ou pela moda, não concordo com nada do que tem sido dito... No Sim, não vejo a resolução do problema que todos tentam anunciar, mas a fuga ao mesmo problema. E aqui, apesar de demasiado vulgar, sem dúvida que a expressão tem aplicação: "se não os podes vencer, junta-te a eles." Logo, um dos grandes argumentos do Sim (e eu até compreendo que não é fácil fazer campanha pelo sim, os argumentos escasseiam quando se atenta contra uma vida), tem sido que o não propõe que as coisas permaneçam como estão e o sim a mudança. Ora, isto é, perante a incapacidade do estado português de controlar e impedir os abortos clandestinos, legalizam-se os mesmos, tornando tudo mais fácil, sobretudo para o próprio governo que, assim, já não pode ser acusado de incompetência. Porque não legalizar também as drogas? Já que o governo não controla o tráfico... (ou vão dizer-me que só na questão do aborto é que continuam a praticar-se ilegalidades?)

Por outro lado, o Sim também se tem refugiado numa imagem marcante (ou nem por isso): mãos femininas atrás das duras grades. Nos últimos 30 anos não houve uma única mulher presa por ter cometido um aborto ilegal. Ora, mais uma vez, esse argumento também não me comove. Temos de proteger aqueles que não têm voz ainda, os mais fracos, as únicas vítimas desta situação.

Mas o auge das opiniões pró-escolha, foi o comentário de Lídia Jorge quando se referiu ao ser humano até às 10 semanas, como "essa coisa humana". Como escritora, em primeira instância, não foi certamente feliz na escolha das palavras, desonrando as letras com a sua ignorância e insensibilidade. Diz que vota pela modernidade, defendendo-se com os argumentos mais medievais que já ouvi.... Enfim...

 Oito anos depois do primeiro referendo, há uma generalização crescente da facilidade com que as pessoas têm acesso à informação. O acesso a contraceptivos tem sido facilitado. A protecção deve ser a palavra de ordem... o aborto deve ser uma excepção e não banalizado ao ponto de se, "por opção da mulher" (e é isso que diz a pergunta) até às 10 semanas, pode ser considerado um cómodo contraceptivo.

Aterroriza-me a banalização do aborto... Aterroriza-me a opinião de médicos a favor da escolha, quando essa escolha compromete uma vida, quando essa escolha é resultado de uma mera "opção" egoísta da mulher. E eu sou mulher... Defendo que a mulher manda sempre no seu corpo, mas neste caso, não se trata apenas do seu corpo... mas de uma criança que vai ser gerada. E por mais que tentem fugir à questão, tentem evitar ficar sem resposta perante perguntas difíceis, não nos podemos esquecer que o milagre da vida começa no momento da concepção. Nesse momento há todo um padrão genético que é criado: a cor dos olhos, do cabelo, certos traços físicos e mesmo psicológicos, estão ali, naquela maravilhosa mistura genética" . Às 10 semanas o coração já bate... Como é que um médico tem coragem de dizer que é a favor da escolha e contra a vida? ...

E depois restam as questões éticas... Agora, apenas por opção da mulher, pode fazer-se actuar uma "selecção não natural" e podem passar a abortar-se crianças com pequenos problemas facilmente resolvidos depois do nascimento ou por vezes mesmo durante a gestação.

E ainda outra questão não esclarecida... relativa, na minha opinião, a um dos públicos alvo: as jovens grávidas, menores de idade? Quem decide. Segundo a coerência dos argumentos aquela referida "opção da mulher" deveria ser delas. O corpo é delas... Mas, no entanto, são menores de idade, é suposto necessitarem de autorização dos pais. Isto só prova que os problemas continuam a não ser resolvidos, apenas deixados e acumulados para trás. Muitas das vezes, as mulheres decidem fazer aborto, não por "opção sua" propriamente dita, mas coagidas por familiares ou pelo respectivo pai da criança. Estas jovens continuam a não ter opção... e a deixar que os outros decidam por si.

Mais não digo... Se o sim ganhar, e tenho-me estado a tentar (infrutiferamente) preparar para essa situação, tudo vai mudar. Para melhor? Certamente não! Desacreditem-se aqueles que afirmam que o número de abortos vai diminuir, porque não vai. Aumenta, obviamente (e é esse o objectivo do sim) o número de abortos legais, agora com uma condição única: "até às 10 semanas por opção da mulher". Eventuais mulheres que poderiam ser dissuadidas pelo facto de ser ilegal ou ser incomum, com a legalização e consequente banalização do mesmo, isto representa um incentivo que poderá influenciar a sua decisão. Além disso, o sim não é a solução dos problemas. Não vão deixar de existir abortos ilegais... Nem sempre as mulheres têm tempo para realizar o aborto até às 10 semanas...

O primeiro-ministro repugna-me... Nunca há fundos, nunca há meios, para nada, nem mesmo para a Saúde, uma das áreas que deveria ser prioritária do governo. Mas para comparticipar abortos haverá... enfim...

Seria bom que as pessoas se consciencializassem da importância de uma simples palavra de três letras no referendo de domingo... Um não pode representar mais uma pessoa que vamos conhecer um dias nas nossas vidas, o sim é certamente uma condenação à morte para muitas crianças...

Se no domingo vencer o sim, é a sociedade que perde. Perde identidade, perde modernidade, perde valores, perde ... só tem a perder. Se o sim vencer, olharei para este post com a eterna mágoa banhada pelo sentimento de impotência... Mas que mais posso fazer? Nada. Apenas a garantia do meu voto no não, um não ao aborto, um sim pela vida!!!

Vânia Caldeira

"Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças."

Fernando Pessoa

 

 

Poema sem nome

 

 

Era tão pequeno que ninguém o via.

Dormia sereno enquanto crescia.

Sem falar, pedia - porque era semente -

ver a luz do dia como toda a gente.

Não tinha usurpado a sua morada.

 Não tinha pecado.  Não fizera nada.

Foi sacrificado enquanto dormia,

esterilizado com toda a mestria.

Antes que a tivesse, taparam-lhe a boca

- tratado, parece, qual bicho na toca.

Não soltou vagido. Não teve amanhã.

Não ouviu "Querido"... Não disse "Mamã"...

Não sentiu um beijo. Nunca andou ao colo.

Nunca teve o ensejo de pisar o solo,

pezito descalço, andar hesitante,

sorrindo no encalço do abraço distante.

Nunca foi à escola, de sacola ao ombro,

nem olhou estrelas  com olhos de assombro.

Crianças iguais à que ele seria,

não brincou com elas nem soube que havia.

Não roubou maçãs, não ouviu os grilos,

não apanhou rãs nos charcos tranquilos.

Nunca teve um cão, vadio que fosse,

a lamber-lhe a mão à espera do doce.

Não soube que há rios e ventos e espaços.

E invernos e estios.  E mares e sargaços.

E flores e poentes. E peixes e feras

as hoje viventes e as de antigas eras.

Não soube do mundo. Não viu a magia.

Num breve segundo, foi neutralizado com toda a mestria.

Com as alvas batas, máscaras de entrudo,

técnicas exactas, mãos de especialistas

negaram-lhe tudo ( o destino inteiro...)

 - porque os abortistas nasceram primeiro.

Renato de Azevedo


publicado por Vânia Caldeira às 20:19

21
Jan 07

Declaração de Luís Marques Mendes:

É este o momento adequado para fundamentar a minha posição pessoal sobre a questão que vai ser submetida a referendo no próximo dia 11 de Fevereiro.
Mantenho a posição que assumi em 1998: o aborto provocado é, fora dos casos previstos na lei actual, um acto arbitrário e injustificado que destrói um ser humano.
É hoje inquestionável que o feto é membro da espécie humana, sendo um ser humano único, irrepetível e diferente de todos os outros. Como tal, merece respeito e protecção.
É certo que se pode verificar um conflito de interesses entre o seu direito à vida e o direito da mulher à sua autonomia, princípio que também merece o meu apoio. De facto, não se pode contestar o direito da mulher a só conceber um filho se e quando o desejar, usando da sua plena liberdade e utilizando os métodos anticoncepcionais que entender. Só que esta escolha tem de ser feita, responsavelmente, antes da concepção livre de um novo ser. Se a concepção não for livre mas resultar, por exemplo, de violação, a lei já hoje admite, e bem, a realização de um aborto.
Mas, fora das situações que a lei já consagra, o direito da mulher à sua liberdade de escolha termina quando começa o direito à vida de um novo ser humano.
A liberdade exige responsabilidade. Neste caso, a responsabilidade de respeitar um princípio fundamental, consagrado na nossa Constituição: “A vida humana é inviolável.” (artigo 24.º)
A legalização do aborto destrói um outro princípio fundamental da ética: os fins não justificam os meios. Ainda que a finalidade visada fosse resolver um problema e fosse porventura aceitável, meios intrinsecamente maus, sobretudo os que implicam a destruição de vidas humanas, não podem ser utilizados.
Na verdade, a vida humana individual não pode ser considerada nunca um meio ou instrumento. É sempre um fim em si mesma. É um valor superior a todos os outros, anterior e superior à própria lei e ao próprio Estado. A liberdade é certamente um valor muito importante, mas tem um limite absoluto que é o respeito pela vida dos outros seres humanos.
Não ignoro, é certo, o problema social que é o aborto clandestino. Conheço-o e sou muito sensível a esse drama. Penso, todavia, que esse mal, que já foi reduzido em relação ao passado, se deve combater, como todos os males sociais e económicos, com medidas enérgicas, sociais, educativas e económicas. Será o caso da protecção da natalidade e da família, do planeamento familiar, da educação sexual dos jovens ou do incentivo à adopção de crianças não desejadas.
Sei bem que este é um discurso recorrente e que, apesar disso, muito há ainda a fazer. E não desconheço que, nesta matéria, todos os Governos têm prometido muito e realizado pouco.
Mas, fora esta responsabilidade que todos devemos partilhar, a questão central é esta: numa correcta hierarquia de valores a escolha só pode ser defender a vida, não destruí-la.
E não se diga que esta é uma tarefa difícil.
Também é difícil combater a corrupção, mas combatêmo-la. Não a legalizamos.
Também é difícil combater o tráfico de droga, mas combatêmo-lo. Não o legalizamos.
O mal combate-se. Não se legaliza. Por maioria de razão, quando o bem a defender é uma vida humana.
Apesar de não haver em Portugal qualquer mulher presa pela prática de aborto, o argumento da prisão é reiteradamente esgrimido. Também aqui quero ser claro. Não concordo com aqueles que parecem querer confinar a legitimidade do Direito à sua eficácia absoluta, nem reduzo o Direito Penal à sua função repressiva. Ele tem uma função preventiva, dissuasora e, sobretudo, delimita fronteiras entre o que é ou não é lícito. Esta fronteira é essencial. Sem ela, corremos o risco de construir uma sociedade sem regras e sem valores.
Coisa diferente é saber se, nestes casos, a pena de prisão é correcta.
Não fujo, também, a esta questão e repito o que já antes afirmei: não sou favorável à pena de prisão para a mulher que decide abortar, seja antes ou depois das 10 semanas de gravidez. O que acho absolutamente incongruente na questão que está em referendo é que, até às 10 semanas, se afaste qualquer forma de penalização e que, às 10 semanas e um dia, se aplique a pena de prisão.
Para mim, a liberalização do aborto pode ter consequências graves. Promovendo-a, ela torna-se, como sublinhou um deputado do PS no debate de 1997, “um mecanismo de desresponsabilização social”.
Consagrando-a, ela traduzirá um sinal de facilidade, não uma ideia de responsabilidade.
Aprovando-a, estaremos a inverter as prioridades. Temos de nos preocupar em incentivar a natalidade, para combater o envelhecimento da população. Ao contrário, estamos a promover o aborto, instrumento de destruição de uma nova vida.
Em vez de ser um sinal de modernidade, como alguns dizem, ela pode ser um retrocesso cultural.
Uma sociedade moderna e responsável constrói-se com referências, valores e prioridades. É esta a minha convicção.
Por isso, votarei ‘não’ no referendo.


Luís Marques Mendes

publicado por Vânia Caldeira às 22:14

20
Jan 07

É deprimente como a nossa lei se adequa tão pouco à nossa realidade. Cada vez que aquele homem baixo, vestido de militar e coxeando ligeiramente aparece no ecrã, estremeço… Olho aquele homem e admiro-o. E não percebo…

Porque é que a lei protege sempre os pais biológicos? Tem de haver uma maior protecção dos pais adoptivos, aqueles que (na maioria das vezes) efectivamente se preocupam com as crianças, aqueles que são, para as próprias crianças, os seus pais. Não é fácil adoptar uma criança hoje em dia… A mim a ideia agrada-me particularmente, gostava imenso de adoptar uma criança. No entanto, parece-me que a sociedade portuguesa ainda é preconceituosa no que toca estas questões. Um casal que opte pela adopção ainda é olhado de lado… Mas pior do que isso, é o facto de que um casal que adopte uma criança, pode ser obrigado, anos mais tarde, a ter de a “devolver” aos considerados “verdadeiros pais”, pelo tribunal. E não uso o verbo casualmente. Aos olhos da justiça, a criança é como um bem que pode ser primeiro deixado numa casa, mas depois de reconsiderada a questão, pode ser entregue noutra. No meio de tudo isto quem se preocupa com o que é melhor para a criança?

Ser bruscamente retirada aos que sempre conheceu como pais e entregue nas mãos de um homem que nem mostrou interesse quando a mãe biológica lhe disse que estava grávida de um filho seu, um homem que duvidou, um homem que ignorou, … e que só depois se lembrou de reivindicar a criança que diz ser “sua filha”? Ou continuar a viver com uma família que a estima, que a acolheu há 4 anos atrás e que é a única família que conhece?

Apesar da crueldade da lei… este caso evidencia sentimentos maravilhosos…

É de louvar o espírito de coragem deste pai adoptivo, disposto a cumprir pena de 6 anos para não revelar onde se encontram a filha e a mulher.

E também é de admirar… o silêncio de Torres Novas quanto ao paradeiro da criança e a vontade de libertar o militar. Um pedido de habeas corpus está a ser reivindicado pelos habitantes desta localidade, pelo facto de o militar ter sido privado da sua liberdade sem justa causa, já que não foi provado o rapto nem o perigo para a criança, nem as suas atitudes se coadunam com essa mesma evidência.

Veremos o que o tribunal vai fazer a esta criança… esperemos uma de duas coisas, ou que a lei seja ponderada e passe a ter o afecto e a própria criança em consideração, ou que, simplesmente, a menina nunca mais apareça.

publicado por Vânia Caldeira às 21:15

14
Nov 06

Os EUA são uma potência mundial... Mas se em termos económicos são um país avançado, no que toca as mentalidades... A pena de morte sempre me indignou. Não concebo a ideia de um país poder decidir sobre a vida de alguém, não aceito a hipótese de uma lei poder matar. Simplesmente não me parece lógico, nem correcto... Nem uma atitude caracterizada pelo Novo Mundo.

Se uma pessoa, neste caso um juiz, pode decidir "matar" alguém, pelos seus crimes... Também a eutanásia deveria ser aceite como legal... Ou seja, também cada um de nós deveria ter uma certa liberdade, a nível legal, de decidir o que fazer com a sua vida.

Lembro-me de um filme em que um homem, de raça negra (como sempre, os mais injustiçados perante a lei), é acusado de ter morto uma funcionária de uma loja, quando se acaba por descobrir que só a tentou ajudar. Apesar de permitir constatar a injustiça a que uma pessoa poder ser submetida, pois só por pouco a pena (e, por sinal, irreversível) não é mesmo aplicada, o filme não é tão marcante... porque acaba bem... Mas podia acabar mal. Se uma pessoa é condenada a 20 anos de cadeia ou mesmo a prisão perpétua... se se descobrir que e inocente... foi um erro, sem dúvida. Mas pode ser corrigido.

Se ela for condenada à morte.... Há uma verdade impossível de repor... Uma vida injustiçada, pelo próprio país, pela própria lei... em vão.

Greenmile.... um dos meus filmes favoritos. Porque final não é feliz... Porque sempre que o vejo estremeço com a imagem de cada execução... Porque evidencia tudo o que pode ocorrer quando a condenação à morte existe... O prisioneiro condenado (também é negro) tem um dom especial... de curar as pessoas, os seus males. E acaba acusado de violar e matar 2 meninas, quando na verdade as tentava ajudar. No fim, morre mesmo. Porque apesar de todos os guardas do corredora da morte perceberem que é inocente e de o levarem mesmo para cuidar de uma mulher com cancro, nada podem fazer. É irreversível.

 Mas há mais... Apesar de a maioria dos guardas daquele corredor ter um sentido de humanidade e respeito pelos condenados bastante acima da média, nem todos são assim. Há um guarda que detesta, desrespeita e goza com todos os prisioneiros e, particularmente, um deles. Nos seus últimos momentos, não se limita a destruir-lhe os sonhos e esperanças, como também, no momento da execução, não molha propositadamente a esponja (que deve ser colocada na cabeça) em água... Resultado: o choque que deveria passar rapidamente para o cérebro e matar o homem em pouco tempo; acaba por demorar muito mais: ouvem-se os prolongados e conscientes gritos de dor do homem, o seu corpo arde, as pessoas chocam-se...

Saddam fez coisas indiscutivelmente horríveis... Mas condená-lo à morte é tão cruelmente semelhante aos actos que  próprio cometeu.... Peço desculpa, mas simplesmente não compreendo.

publicado por Vânia Caldeira às 23:16
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