Para sonhadores... Deixem-se levar... O blog mudou de cores, mas os sonhos são os mesmos...

26
Abr 07

publicado por Vânia Caldeira às 16:36
sinto-me:

10
Nov 06

 

Há dias em que chego a casa de rastos... Porque ao ver os meus colegas de anos mais avançados com tudo na ponta da língua... sinto que não vou ser capaz... Tenho medo de não conseguir... E sobretudo dúvidas, uma enorme incerteza que me corrói como um cancro alastrando. Tudo é incerto e confuso... Nada é garantido.

O desafio é difícil, a meta elevada... Será que estou à altura? Poderei eu ser como o são os meus colegas? Serei eu uma boa médica?

Entre dúvidas e angústias só há uma coisa que me consola... Podia pensar em desistir, em voltar para Letras, em mudar para qualquer outro curso na área da Saúde... simplesmente desistir! Mas não... Nunca! Por muito que não acredite suficientemente em mim para abolir todas estas dúvidas de vez, uma coisa é certa: não duvido que estou no curso certo, não duvido que é aqui que vou ser feliz, que é aqui que quero ajudar os outros a sê-lo. Porque apesar de ter consciência do caminho de trabalho, da falta de tempo para mim e para a minha vida que me espera... sei uma coisa: QUE NO FIM,  VALE A PENA!

publicado por Vânia Caldeira às 19:55
sinto-me: sonhadora

03
Out 06

"A vida é curta e a arte longa, a oportunidade fugidia, a experiência enganadora, a decisão difícil. "

Hipócrates

 

"Vocês vão entrar numa profissão extraordinária... Esta foi a minha vocação, pelo que nem podia dizer outra coisa. Mas é efectivamente uma arte extraordinária. Mas também exigente. Desejo-vos muito boa sorte no vosso curso e é com orgulho que vos recebo. Sobretudo aspirem bem alto, porque o tempo é vosso."

"Não sejam indiferentes. Por favor nunca o sejam. A pior coisa que existe, e que é como um cancro que corrói a sociedade, é a indiferença. "

Prof. Doutor J. Fernandes e Fernandes, Director da FMUL

 

"A Medicina foi e é a mais bela profissão do mundo. Espero que sejam vocês, estudantes de Medicina, a permitir que ela continue a sê-lo."

Dr. Honoris Causa - Fernando Nobre, Presidente da AMI

 

"Espero que tenham sempre aquilo que vos trouxe até aqui... coragem e determinação."

Dr. Adalberto Campos Fernandes, Administrador do Hospital de Santa Maria

 

 

"Um médico que só sabe de Medicina, nem de Medicina sabe."

António Salazar

publicado por Vânia Caldeira às 21:22
sinto-me: muito feliz com a minha entrad

25
Set 06

Tinha medo de sonhar, medo de deixar renascer em mim algo que se parecesse com esperança ou ilusão. Medo de ver além daquilo que é certo, medo de voar demasiado alto, medo de alargar exageradamente os horizontes. Na realidade, todos estes medos estavam intimamente ligados a um medo global e paralisante que, dia após dia, se ia apoderando de mim: o medo de cair.

O medo de uma ambição cega que me concedesse, como a Ícaro, frágeis asas de ilusão. Que me levasse a voar por terras de sonho, que me levasse até bem perto do sol... Até bem perto de um sorriso e de uma felicidade renovada. E que no auge, as frágeis asas de cera se derretessem... e o sol que parecia o sonho se torne novo pesadelo, que culmina com a minha queda no bravio e mortal mar Egeu.

Este ano criei, concebi e recoloquei as minhas frágeis asas que me elevarão durante uma pequena (grande) jornada. A jornada da minha vida, que decide o meu futuro. Vou tentar voar rente ao chão, afastada do Sol e da esperança que queima. Vou tentar Medicina novamente. E a esperança de entrar, tão depressa me move e é a razão de tudo, como se não se realizar me pode perder para sempre.

Tinha prometido a mim mesma que não voltaria a levantar vôo. E, no entanto, quando há algo dentro de nós mais forte que nós próprios, uma força que nos guia e leva num determinado sentido, nada conseguimos fazer contra. Eu tinha uma vontade implícita de concretizar este sonho, uma grande necessidade de deixar voar esta vocação... Mas um grande medo também.

  

Ainda me recordo do que deu nome a este blog... Passeva eu com uns grandes amigos meus (o Valter, a Vânia, o Ricardo) na marina de Portimão, depois de uns excelentes dias em Sevilha (fomos à Isla Mágica), quando, de repente, o meu olhar se prendeu num desses inúmeros barcos, vendo nele talvez, uma mensagem para mim, já que tinha um nome muito diferente de todos os outros, escolhidos por questões religiosas, futebolísticas ou meramente casuais e que aos meus olhos pareciam por demais ridículos. Aquele representava um ideal, era a expressão máxima de tudo aquilo que todo o homem devia ser: "Dreamfinder". E este nome extraordinário, simplesmente delicioso, salta dos meus lábios com uma memória tão recente que estas férias poderiam ter sido (e não foram!) há uma semana atrás! Não há expressão em português que possa traduzir a magia que o significado daquele nome teve para mim. É esse o meu ideal, o meu sonho para a vida: procurar incessantemente sonhos que me alimentem a alma e encontrar meios para os concretizar, desbravando todos os caminhos, pairando sobre todos os céus e navegando em todos os mares. Nesses meus sonhos, imagino, crio e invento um mundo perfeito. Mas deixemos o barco dos sonhos partir para esse mundo onde tudo é possível...

Este ano de Letras... foi excepcional. Aprendi muitas coisas, sinto-me mais rica, uma pessoa muito mais completa. Conheci muitas pessoas novas, grandes amigos, professores verdadeiramente entregues ao seu trabalho, autores que nunca pensei tão geniais. Sei que este ano, em grande parte, me transformou.

E outra coisa curiosa... Adorei o Italiano, enquanto língua, a professora excepcional que tive (Dra. Debora Ricci)... e houve uma coisa que aprendi, e que sei, que nunca vou esquecer... Enquanto nós falamos em projectos e sonhos de vida... os italianos têm uma expressão para dizer o mesmo: "sogno nel cassetto", o que à letra significaria "sonho na gaveta". E como esta expressão se identifica comigo... Há um ano guardei, com tristeza, o meu sonho numa das gavetas do armário da vida, sobre o qual assentou o pó da desilusão... E ele continua lá trancado, a chave escondi-a e fugi para longe dessa gaveta, desse armário, desse quarto, dessa casa... Mas ele anseia pela liberdade e, sobretudo, pela sua concretização e preciso de muita coragem para o deixar sair! Agora essa gaveta encerrada, foi novamente aberta... e o sonho saltita enquanto aguarda um resultado. Decisivo para ele, que poderá ser finalmente livre ou ficar para sempre trancado na tal gaveta, esquecido no passado... decisivo para mim, que terei ou não a possibilidade de me realizar, de dar asas à minha vocação...

E assim, olhei o horizonte... olhei o perigo de nova queda, talvez esta fatal. Hesitei... Mas porque a vida é um percurso que, acredito, só se trilha uma vez, abandonei esse medo do sonho e da esperança, ganhei asas e voltei a voar. Arrisquei novo vôo e assim nova e provável queda. Mas pelo menos eliminei esse medo de voar e um possível arrependimento de não o ter feito. Voarei baixinho, evitando grande queda, mas voarei... Porque as asas divinas que me foram concebidas são mais fortes que o destino, as tempestades e o meu medo!

5 de Setembro de 2006

Vânia Caldeira

publicado por Vânia Caldeira às 15:00
sinto-me: insegura

01
Set 06

17 de Outubro de 2005

"O homem pode ser destruído, mas não derrotado."

Ernest Hemingway

É assim que melancolicamente me sinto. Destruída. Porque me desfizeram os sonhos como se fossem bolas de sabão, escoaçando de uma criança, que alguém cruel destruiu. Como se fossem belas flores vivamente desabrochando que alguém pisou. Como se fossem esperançosas chamas de velas que alguém apagou num sopro forte e indiferente.

"O êxito tem muitos pais, mas o fracasso é órfão."

John F. Kennedy

Não posso dizer que este fracasso foi uma surpresa, porque de certa forma já o esperava.Tal como o não foram os olhares frios e cruéis, os comentários duros e hipócritas... Ao longo deste caminho, durante o meu sonho, sempre senti a constante presença desses olhares ansiando o meu fracasso... E triunfaram. Mesmo que eu queira -  e quero! - erguer a cabeça e seguir em frente... não me deixam, fazem questão de invocar o meu fracasso, tornando-o (parece-me bem!) no seu único triunfo!!!

"É duro cair, mas ainda é pior nunca ter tentado subir."

Roosevelt

A queda foi bastante dura, o chão era inóspito. Mas eu tentei subir alto demais, tentei voar, ir além de todos os meus limites... O que fez grande a queda e tornou maior o fracasso fio a meta ambiciosa e arriscada, os elevados horizontes, a que não só me propus como corajosamente assumi perante tudo e todos:a Medicina. Podia ter escolhido uma montanha menos elevada, um piso mais fácil de trepar, com temperaturas mais amenas.

"Aqueles que vêem em cada desilusão um estímulo para maiores conquistas têm a perspectiva certa da vida."

Goethe

Talvez eu tenha a perspectiva errada da vida, mas não encontro nest atão grande desilusão nada parecido com estímulo. Que conquista maior posso eu alcançar do que aquela que eu queria, que outra me pode dar igual ou maior felicidade? Admito não saber exactamente o que perdi... Até que ponto era a careira que me preencheria? Penso que sim, mas não o posso garantir. Até que ponto não se revelaria uma desilusão...? Não sei e não posso saber. Sei apenas que a Saúde me cativa, os recantos mais íntimos do corpo humano, todos os sistemas, mecanismos, disfunções e os "milagres" ds Medicina. E sei também que uma força íntima me diz que é essa a profissão que me fará feliz, o espaço que me está reservado por Deus e pelo Mundo.

"Um falhado é um homem que cometeu um erro, mas não é capaz de o tranformar em experiência."

Hubbard

Quero transformar este erro, esta falha, esta desilusão em experiência, mas não sei bem como. Porque ninguém me ensinou a perder e muito menos que nos podiam roubar os sonhos.... Ninguém...

"Em todo o fracasso há uma nova oportunidade."

John Rockefeller

E a minha chama-se Letras, uma paixão antiga, um caminho renovado... Sei que irei gostar ou mesmo adorar... Mas também sei que não será a mesma coisa, que sentirei falta da certeza da ciências, da sapiência do mundo que elas nos permitem.

"Algumas quedas são o ponto de partida para situações bem felizes."

Shakespeare

Já fui à Faculdade e não posso negar que estou feliz. Não tanto como poderia estar... Mas, mesmo apesar de todas as adversidades, tenho motivos de alegria: entrei para a Universidade - uma nopva fase da minha vida, não vou ficar com o meu antigo  sonho das Letras inconcretizado, já conheço alguns amigos na Faculadede - o meu querido padrinho Xico...

"Cada fracasso dá ao homem uma lição que ele precisava de aprender."

Charles Dickens

Aprendi que na vida nem tudo é fácil, o trabalho, o esforço e a entrega nem sempre são recompensados e que a desilusão espreita a cada esquina. Aprendi a reconhecer os verdadeiros amigos - os que resistiram firmes a meu lado, me defenderam e me apoiaram independentemente do meu rumo. Conheci o entusiasmante mundo das letras. E resta a esperança de conseguir para o ano realizar esses meus ambicosos objectivos ou quem sabe consolidar o meu futuro na área das Letras...

Vânia Caldeira

 

publicado por Vânia Caldeira às 15:01

19
Jul 06

"Sonho, ilusão

A universidade,

Doce é o destino que faz o estudante abraçar

Templo do livro e do copo

Na verdade

Solta-se um travo amargo quando é hora

De a deixar.

Adeus, àminha terra eu vou voltar

Mas hei-de sempre cantar

O hino da Faculdade

Levo a negra capa e batina

Saberei para toda a vida

O que é sentir saudade.

Adeus, à minha terra eu vou voltar

Mas hei-de sempre cantar

O hino da faculdade

Tenho a lua por companheira

Cantarei a noite inteira

Pelas ruas da cidade.

Choram as guitarras

Trovas mudas

Clamam versos rebuscados de um sonhador

Confundi já no meu peito

Mil ternuras

Agora vou embora,

Mas não esqueço o sabor."

Música da INOPORTUNA

Tuna Académica da Faculdade de Letras de Universidade de Lisboa

publicado por Vânia Caldeira às 15:48
sinto-me:

24 de Setembro de 2005

Roubaram-me o meu sonho durante a noite... enquanto sonhava. Nesse instante de evidente fragilidade, de um momento para o outro, deixei irremediavelmente de sonhá-lo. .. Aquele sonho: sonho de uma vida, de uma esperança.

Sinto-me uma peregrina que perscrutou, planeou durante anos o seu caminho, chegando mesmo a iniciá-lo. Escolhi o melhor percurso, não o mais fácil, mas o melhor! Aquele cuja meta fosse, a mais ambicionada, a mais desejada: a realização pessoal, a concretização máxima das minhas potencialidades, a felicidade. Escolhi o caminho, trilhei-o, limpei, levantei e tirei do meu percurso, aos poucos, todos os obstáculos... Mesmo as pedras, os galhos, as ervas... Tornei perfeito esse caminho que escolhi. E entrei nele, invadi os seus domínios, iniciei a minha jornada, seguindo sempre, com feliz rigor, a trajectória que tracei. Certos obstáculos ou acidentes naturais, rios, penedos, vales, montanhas não os pude evitar, mesmo sabendo que eles lá estariam. Outros imprevistos foram inevitáveis surpresas nesta minha longa viagem de três anos. A neve, o calor, a chuva... Tudo enfrentei e nada me derrubou. E de repente, sem saber porquê, cortaram-me a estrada, impediram-me de prosseguir, de avançar no meu percurso, o mais perfeito, o que eu mais queria. E chegou a fase mais dolorosa da minha jornada: o percurso inverso, contrário ao acto de acreditar, um verdadeiro confronto com a realidade, um autêntico roubo dos sonhos, do projecto que eu traçara.

Recuei e voltei ao cruzamento da minha vida, sem rumo... senti-me perdida. Num mero golpe de sorte, entrei, desta vez não escolhi, limitei-me a entrar instintivamente num outro caminho, uma outra estrada. E esta é muito áspera, porque a não conheço, porque não é a mais desejada. è um caminho por desbravar e por conhecer. E, no entanto, vou percorrendo este caminho, tendo como principal obstáculo a minha própia vontade!

"O destino baralha as cartas, mas nós é que fazemos o jogo."

Shakespeare

publicado por Vânia Caldeira às 15:16
sinto-me:

20 de Setembro de 2005

"É frequente encontrarmos o nosso destino nos caminhos que tomámos para o evitar."

Jean de la Fontaine

Acho que, de certa forma foi isso que me aconteceu. Costumo rejeitar com fervor a ideia temerária e absolutista de que o destino está escrito. Não me assustam as linhas que o possam constituir mas a incapacidade do homem de as mudar... Qual seria então o fundamento da nossa vida? Viver unicamente e passivamente o destino que nos foi atribuído é como ser o actor de uma peça que alguém escreveu ou a marioneta controlada por alguém. Que sentido faria a nossa frágil e dissimulada existência?

Coincidência ou não tive exactamente as mesmas notas nos exames nacionais de Biologia e Química: 16,6. E para que esse inexorável destino em que não acredito (ou tento não acreditar!) se cumprisse... não entrei! Não concretizei o sonho que tenho vindo a construit, não pus à prova o projecto que meticulosamente tracei. A minha vida perdeu um pouco de mim mesma, um pouco dela própria. O meu único consolo foi a voz doce e preocupada de quem me deu a notícia... Não me lembro como reagi... inicialmente bem, depois mal. Lembro-me de ter ficado muito contente com a sua entrada em Enfermagem... muito mesmo. Fiquei de rastos o resto da noite... e os dias que se seguiram. Tive óptimos amigos do meu lado! E a eles estarei eternamente grata, independentemente dos diversos caminhos que seguirmos.

Sempre desejei Medicina acima de tudo, mesmo sabendo a luta difícil que teria de travar, contra as notas exigentes, as convenções sociais num país em que os sonhos nos são cruelmente roubados... Mesmo conhecendo a enorme possibilidade de fracassar... tal como aconteceu!

Talveu o meu destino tenha acabado por conseguir apanhar-me... As Letras acabaram por conseguir capturar-me (pois o meu 20 no exame de Português deu-me uma óptima nota de candidatura de 19,05): não, claro, contra a minha vontade. Lembro-me de em pequena dizer que queria ser escritora. Mas hoje as coisas mudaram... continuo a gostar de escrever, embora tenha perdido o enorme interesse de miúda pela escrita de poesia... A prosa dá-me mais liberdade, permite-me muitas mais coisas... Agora gosto apenas de ler poesia: adoro Torga ou Cesário Verde. Apesar de gostar de Letras e de achar que me vou dar, pelo menos, razoavelmente bem nesta área... sei (e esta certeza está bem no meu íntimo, segura de si própria) que não será em Letras que obterei a minha realização. Tenho a absoluta certeza que não... Para já... veremos que água irá correr pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

 

publicado por Vânia Caldeira às 14:51
sinto-me:

01
Jul 06

 Já lá vai o tempo em que ter um curso universitário valia alguma coisa... Pelo menos valia um emprego. Agora: é uma óptima forma de gastar o nosso tempo, de aprendermos e de nos divertirmos, de gastarmos o dinheiro aos pais e de ... termos o desemprego como certo.

Sempre gostei particularmente de ler e escrever e cheguei mesmo a pensar seguir um curso na área das Letras. Porém, perante o estado das coisas optei pelo Agrupamento 1. No entanto, e como no ano anterior, por algumas décimas, não entrei no curso que queria... Decidi que iria fazer uma experiência nas Letras e que se percebesse que afinal era isso que eu queria nada nem ninguém me impediria de lá ficar.

Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa: uma fantástica experiência! Antes de mais pude conhecer a vida universitária, o que não aconteceu a colegas minhas que ficaram mais um ano em casa para tentar mudar de curso. Conheci Shakespeare, Aristóteles, Platão, Giuseppe Tomasi di Lampedusa, Gabriel Romagnoli, Cervantes, Homero, Vergílio, Ésquilo, Sófocles, Teolinda Gersão, Sophia de Mello Breyner,... Tive cadeiras fantásticas como Bases de Análise Gramatical, Linguística, Literatura, Cultura Clássica, Cultura Espanhola, ... Aprendi Italiano e Espanhol...

Mas depois de um ano com óptimas notas (pelo menos comparativamente às que são comuns naquela faculdade) percebi que, por um lado, não é verdade o que os de Ciências costumam dizer: as Letras são muito mais fáceis. Não é verdade. O rigor dos professores catedráticos, muitos deles, é bastante grande. O resultado: notas sempre muito baixas, já que cheguei à conclusão de que vão para as Letras os alunos que não conseguem entrar em mais lado nenhum ou os que pensam que é mais fácil. As Letras estão decadentes por isto. As pessoas que poderiam triunfas nelas (e devem ser muitas), percebem que elas não garantem um emprego e desistem da ideia.

Quanto a mim... Durante um ano excepcional, senti, no entanto, falta do rigor científico e da exactidão das ciências, das novidades e de toda a vida que gira em torno das ciências. Mas as letras foram uma experiência que me influenciará a minha vida futura: nas leituras, na análise dos textos literários, na escolha do que ler...  De qualquer forma, este ano voltei a estudar para os exames nacionais de Química e Biologia... E espero que consiga entrar, pois com o passar do tempo percebo cada vez mais que é isso que quero!

Voltanto ao estado actual do país para os jovens... As oportunidades não existem! Nem para os com curso, nem para os outros. Um colega meu tirou Comunicação e Cultura na Lusófona e continua a fazer o mesmo que fazia antes: trabalhar num escritório de seguros (que, por sinal, é dos avôs). Outros, sem curso ou quem curso, desesperados, vão a uma grande empresa pedir para ir para Angola, pois o ordenado está na ordem dos 1500 € .

Este país não está a pensar em nós... E não sabe o que perde!

Vânia

publicado por Vânia Caldeira às 10:34
sinto-me: Triste

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