Para sonhadores... Deixem-se levar... O blog mudou de cores, mas os sonhos são os mesmos...

11
Mar 09

 

Ser mulher.

 

Gosto de pensar que, hoje em dia, o orgulho de ser mulher nos recorda, a todas, as imensas lutas e consequentes vitórias que outras, em tempos distantes, travaram e conquistaram com a força do seu pensamento e a virtude das suas ideias. Batalha sem tempo, essa. A da igualdade, a da dignidade e a do respeito. Apenas por um lugar na sociedade, longe do velho papel de mãe e esposa, cumprido de forma sacrificada. Em busca de mais do que isso. Porque merecemos mais. Porque valemos muito mais.

Um lugar ao lado dos homens, com direitos e reconhecimentos semelhantes. Porque somos iguais. E, muitas vezes, melhores. Mais capazes, mais aptas, mais responsáveis, mais dedicadas. Porque estamos habituadas a sentirmo-nos postas à prova e a superarmos todos os testes.

E, no entanto, em dias como este, fico profundamente triste. Porque sinto que tudo não passa de uma fachada. A sociedade não mudou tanto quanto se esperava. Continua igual... Os homens não mudaram (a maioria, pelo menos, não). Um estudo veio hoje revelar que um em cada sete britânicos acha normal bater na namorada. Os números da violência no namoro não param de crescer e os actos machistas repetem-se numa sociedade que se diz jovem, moderna e civilizada. O assédio à mulher no trabalho é frequente, a escolha de homens para os cargos mais altos também. Os homens não mudaram: as palavras talvez tenham mudado, se tenham suavizado e preenchido de falsas cautelas ("porque fica bem, porque elas gostam de ouvir, porque é bonito"), mas os seus gestos e as suas ideias são, bem no fundo, as mesmas.

Mais do que isto, preocupa-me que muitas mulheres não tenham mudado. Umas porque a idade não lhes dá espaço à mudança. E outras... essas são as que não compreendo. Têm elas próprias profundas raizes de uma sociedade machista: onde se habituaram a servir os homens e a criticar as mulheres que o não fazem. Onde um homem que traia a sua companheira é um "mulherengo" (expressão acompanhada de um leve sorriso) e mulher que faça o mesmo não passa de uma "puta" (e perdoem-me a expressão). Onde não cultivam o respeito por si próprias, a ambição de chegar sozinhas a lado algum, a vontade de vencer e provar ao mundo o seu valor. Que se limitam a acreditar naquilo que eles lhes dizem, que se circunscrevem ao "nada" com que eles as rotulam. Cujos objectivos de vida são casar e ser esposas dedicadas.

E, agora, pergunto: haverá assim tanta diferença entre estas mulheres e as de há uns séculos atrás? Ou aquelas que se escondem numa burca nos países árabes? Provavelmente, a principal diferença é que as de hoje perderam a força de mudar as coisas. E se acomodam. E como esta realidade pode doer... É tempo de sermos verdadeiramente iguais. Não queremos que nos favoreçam, não precisamos! Queremos o simples direito de sermos iguais, no que fazemos bem e no que fazemos mal. Sem excepções. Será demais sonhar com isso?

publicado por Vânia Caldeira às 19:59
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A mulher ao longo dos séculos foi sempre considerada como um sere inferior... me pergunto porquê... a mulher tem o dom de dar vida, da beleza, da alegria, do carinho, do amor,... e da inteligência... será este que incomoda mais que qualquer um dos outros dons.
Mas será que em tantos séculos que a humanidade teve para aprender, não chegaram para perceber que a mulher é uma força da natureza em todos os aspectos e que deve ser apreciada e respeitada por isso. Não precisamos ser iguais, nem queremos, mas merecemos ser tratadas como tal, porque acima de tudo somos todos seres humanos. apc
Anónimo a 15 de Março de 2009 às 22:36

Olá Vânia,

Apesar de eu ser homem, admito que tens razão no que dizes. A sociedade infelizmente não mudou assim tanto. Há pequenas diferenças, mas ainda pequenas demais para poderem ter um efeito significativo na vida das mulheres.
No entanto há algo que muitas vezes me faz pensar... será que um homem que bata ou trate mal uma mulher possa ser chamado de homem? Para mim, esse sujeito terá apenas um nome: cobarde...
Aqui em questão não está o facto de se considerar a mulher como o "sexo fraco", porque em muitas coisas a mulher é mais forte do que o homem. Está provado que apesar de fisicamente inferior, a mulher é 2 a 3 vezes mais resistente à dor, e talvez seja por isso que muitos cobardes, façam com as suas companheiras aquilo que não conseguem fazer fora de portas...
No entanto, a culpa infelizmente não é do indivíduo, mas sim da sociedade em si. Eu dou-me por feliz, ter sido educado de forma a respeitar e tratar as mulheres não apenas como iguais, mas até como superiores... mas infelizmente muitos homens agem como viram os seus pais agir...
A mulher é sem dúvida um ser especial.. afinal é ela que nos acolhe a todos no seu ventre. Mas também é um ser complicado, com todas as pequenas características de personalidade que se enraizaram durante séculos e séculos de submissão. A mulher, nesta "nova" sociedade, tende a ser mais brusca, mas infelizmente menos "mulher". Não penso que seja uma questão de machismo, mas e perdoa-me a expressão: existem diferenças entre homem e mulher. A verdade é que existem certas áreas de conhecimento onde a mulher é claramente superior, enquanto que noutras essa superioridade cabe ao homem. Não é um defeito social, mas sim uma evidência evolutiva.
Por isso mesmo, um homem não se pode fazer passar por mulher, nem uma mulher por homem. Pela minha experiência com mulheres, digo apenas que, durante séculos as mulheres quiseram ter os mesmos direitos do que os homens, mas quando encontram um homem que lhes concede liberdade e romance (amor, paixão e todos os sentimentos associados), acabam por sentir-se frustradas e muitas vezes aborrecidas... Resumidamente, há papeis na sociedade que cabem às mulheres e não aos homens... e vice-versa...
Para acabar este longo comentário, gostava de frisar que para mim, quem trai, seja homem ou mulher é desvalorizado... No resto... "puta", para mim é um diminutivo de prostituta, que é segundo alguns a profissão mais antiga e ainda hoje me questiono o motivo do seu surgimento...

Gostei muito do teu blogue.. continua assim e se quiseres poder dar uma vista de olhos ao meu:

www.10100100para8.blogspot.com
Gonçalo Pina a 23 de Maio de 2009 às 12:51

O ideal seria um mundo onde as pessoas reconhecessem suas limitações a mulher não é igual ao homem e quem disse que precisa ser? A beleza de ser mulher está exatamente na diferença e consequentemente no complemento que essa distinção proporciona...
Agencia de publicidade a 27 de Maio de 2009 às 20:57

Olá,

É de mulheres como tu que o mundo precisa.
Vivam as mulheres, que são seres incriveis.

tonymadureira a 9 de Agosto de 2009 às 18:02

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