Para sonhadores... Deixem-se levar... O blog mudou de cores, mas os sonhos são os mesmos...

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Jun 08

 

Nunca tive qualquer tipo de conflito com as palavras. Pelo contrário, venero-as em devoção extrema pela capacidade infinita que depositam nas minhas mãos. Por vezes, demasiadas vezes, somos levados pela arrogância de afirmar que as palavras são insuficientes para definir alguém, um momento ou uma emoção. Tentamos culpá-las de uma falta exclusivamente nossa. Falta de tempo, paciência, arte ou talento. Sim, porque, na verdade, acontece exactamente o oposto: quando escrevemos uma palavra ela excede-se a si mesmo, ao significado que lhe demos, ultrapassando a barreira do nosso universo para a esfera do leitor, que a poderá interpretar de diversas formas diferentes.

Tempo de voltar à ideia inicial: sempre tive uma óptima relação com as palavras, com as quais estabeleço um diálogo constante, algures, nos recônditos da minha mente. Porém, nem sempre elas saem com a espontaneidade com que deviam... sobretudo no campo delicado e sensível que elas acabam sempre por abordar com inigualável riqueza - o dos sentimentos. Aqui as palavras emergem, ideias e ideias sucedem-se, mas não fluem com facilidade até à estrutura laríngea e não é fácil deixá-las vibrar nas cordas vocais ou dançar nos músculos da língua.

Papel e caneta. Combinação perfeita, harmonia sem igual. Quando a voz é trémula, a vontade de falar hesitante, dêem-me um papel e uma caneta e o milagre acontece. Não, não é preciso esperar, não é preciso "inventar"... Como que por magia, a sinceridade chega-me à ponta dos dedos e surge no papel. Como uma verdade absoluta, como uma certeza que esteve sempre lá, à espera de ser revelada, sem dificuldades, medos ou hesitações. As emoções vêem a luz do dia e perduram no tempo.

Sim, também há vantagens neste processo da escrita. As palavras verbalizadas são, geralmente, mais imaturas, fugazes, frágeis e acabam por ser condenadas ao esquecimento, por essa ampulheta indiferente do tempo. A palavra escrita permanece... no tempo, na memória e vive através do papel. Deve ser por isso que sempre gostei de escrever: fazer perdurar os momentos felizes e as pessoas importantes, revivê-los e relembrá-los mais tarde; procurar aprender com os erros, expiá-los, e a toda a tristeza, no papel. Também deve ser por isso que nunca vivi o habitual dilema de quem escreve: o da "folha em branco". Escrever nunca foi uma obrigação ou um dever, mas sempre um prazer, uma necessidade intrínseca.

Entretanto, e enquanto reservo as palavras mais difíceis, mas também as mais sinceras, apenas ao papel, resta-me a esperança de que os meus amigos e todas as pessoas realmente importantes saibam o que representam na minha vida... e apenas o deduzam dos meus gestos, da minha preocupação com eles ou constante presença. Não esperem que o diga... Mas quem sabe? Talvez o vá escrevendo.

publicado por Vânia Caldeira às 14:45

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