Para sonhadores... Deixem-se levar... O blog mudou de cores, mas os sonhos são os mesmos...

24
Mar 08


Ele sabia que não os podia desiludir. Tinham reunido todos os esforços, tinham dado demasiados pontapés nas duas primeiras letras dos "impossíveis", tinham feito tudo por ele. "Para que fosse alguém na vida", diziam.
Mas, sobretudo, tinham feito o que poucos conseguiram (e ele devia-lhes isso): acreditar verdadeiramente nele e nas suas aparentemente inférteis qualidades. Os seus pais eram, efectivamente, os "melhores pais do mundo". E, por isso, não os podia desapontar...
Ao som da terrível tempestade que rebentava lá fora, dava mais uma irrequieta e angustiada volta na cama: o sono teimava em não chegar e o descanso, esse, estava bem longe de lhe dar tréguas. Vivia mais do que uma patológica crise de insónias. Vivia um angustiante conflito interior, sem terapêutica conhecida e de prognóstico muito reservado.
Porque, lá bem no fundo, ele sabia que simplesmente não estava à altura das expectativas. Ele sabia que não era suficientemente bom. Ele sabia que, no fim, desiludiria os que mais os amavam.

Na manhã seguinte, os pais encontraram-no no chão do seu quarto, pálido e gelado. Jazia com uma invejável serenidade que nunca cultivara em vida. Ao lado do corpo inabitado, vários frascos de medicamentos espalhados pareciam ter ditado a sentença final. Fora a sua decisão e falta de coragem de enfrentar o futuro e de ter a responsabilidade de triunfar nele que tinham vencido e feito a morte parecer mais tentadora do que uma vida condenada ao fracasso. Apenas porque, no fundo, ele sempre soube que desiludiria os seus pais. E desiludiu.
publicado por Vânia Caldeira às 10:07

Não há reciclagem de oportunidades perdidas.
Somos herdeiros de um passado que não é vazio, mas que nos marca mais ou menos intensamente e somos construtores dum futuro que não é estático, mas dinâmico, que não é nosso, mas para nós e para a comunidade.
Somos máquinas de reciclagem do tempo que não chegam a apreciar o que adquirem, porque é preciso estar a par do cronómetro que já se encarregou de criar novas ilusões que facilmente fazem esquecer aquilo que se conseguiu com tanto suor.
O monstro do futuro que nos promete felicidades sempre adiadas é o mesmo que nos vai retirando a verdadeira felicidade que não se vive no amanhã, mas no agora, porque quem não vive o presente, não vive, pois o futuro não se vive, apenas se sonha. E, nesta roda-viva em que nos sentimos atordoados, não encontramos uma porta de saída, porque o círculo vicioso da procura faz-nos regressar sempre ao mesmo ponto de partida que deixa de ser linear para ser circular.
Precisamos de viver o tempo e não gastar o tempo, precisamos de sentir a vida e não arrastar-nos pela vida. Só tem medo do futuro quem não vive o presente, porque é no hoje da nossa existência que nós temos que nos sentir vivos e realizados.
Mais uma vez, desculpa a invasão… “ derrota a derrota até a vitória final”, muito importante na vida, é ver se “ o sumo vale a espremedura”.

Mais uma vez, obrigada …
luisito a 24 de Março de 2008 às 13:03

E isto faz-me lembrar um rapaz que eu conheço...

Beijinho desajeitado!
André a 25 de Março de 2008 às 02:03

Conheço uma história semelhante... A diferença é que as páginas finais estão em branco... Mal posso esperar por saber o seu fim.
Mauro a 25 de Março de 2008 às 03:52

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