Para sonhadores... Deixem-se levar... O blog mudou de cores, mas os sonhos são os mesmos...

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Mai 07

Na passada 5ª feira, 3 de Maio, desapareceu uma menina inglesa na Praia da Luz no Algarve e desde esse dia, o seu pequeno e lindo rosto, os seus grandes olhos verdes e cabelos loiros fazem parte inevitável do nosso dia-a-dia.

Na Internet, nos jornais e revistas, nos noticiários, nas montras e portas das lojas, em todos os locais, a mensagem é constante: “Alguém viu esta menina?”

A Madeleine, o seu lindo nome prometia-lhe uma história mais bonita, talvez um conto de fadas. O destino, porém, pregou-lhe uma partida.

Toda a população da Praia da Luz sofre com a família McCann. E todos querem ajudar, há uma angústia partilhada que une portugueses e ingleses, tudo pela pequena Maddie.

Mas afinal onde está Madeleine?

Essa é a informação que os pais da menina, que faz hoje 4 anos, mais querem ouvir das forças policiais portuguesas.

Esta horrível história cujo final ainda está por escrever tem, no entanto, coisas muito bonitas para se contar. Apesar dos comentários negativos relativamente à PJ portuguesa, tecidos por ingleses, uma coisa parece evidente: as forças policiais portiguesas têm feito tudo o que está ao seu alcance em busca da pequena Maddie. Como um elemento da PJ disse:

 

“Todos nós temos filhos e familiares com idades semelhantes à de Madeleine. Todos nós queremos muito encontrar a Maddie! Neste momento é como se ela fosse nossa filha.”

 

Nunca a PJ mobilizou tantos meios numa operação de resgate de um desaparecido. Nem quando Joana Cipriano desapareceu há 3 anos também no Algarve e muito menos quando o Rui Pedro foi raptado à porta de casa em Lousada (1998).

A trabalhar no presumível rapto estão 130 investigadores, a brigada de homicídios e crimes sexuais. Muita polémica tem sido criada em torno desta tão grande mobilização de recursos. Em parte penso que isto só se verifica por se tratar de uma criança inglesa. Há quem julgue que os motivos se prendem com o medo da forma como este caso pode afectar o turismo português. Mas prefiro acreditar que a PJ tem evoluído nestes últimos anos e que está agora mais capaz de intervir e com mais reforços nestes casos.

A PJ tem-se deparado com o problema dos exigentes meios de comunicação social britânica, habituados a uma participação mais activa nestes casos. Em Portugal, a relação não é nem de longe tão aberta e o segredo é considerado importante na sequência das investigações.

Começa a ganhar força a hipótese de rapto para uma rede pedófila ou para adopção ilegal. Nos últimos dias surgiram os primeiros sinais de desânimo nas equipas de busca no terreno.

Todo o país está sensibilizado com a história da menina de 4 anos. Além de inúmeros anúncios espalhados pelo país, na Praia da Luz, os turistas colocaram inúmeros laços amarelos em sinal da esperança de que Maddie volte; também as figuras públicas têm feito apelos à população, depois de Cristiano Ronaldo, também David Beckham aderiu a esta causa (e representam, em conjunto, o desespero de duas nações unidas em busca de Maddie); 600 Motards do Clube da Praia da Luz ofereceram-se para correr o país de lés a lés em busca de Maddie; um grupo de soldados voluntáriou-se para procurar a menina de ultra-leve. A colaboração da população tem sido enorme. A PJ tem recebido inúmeras chamadas telefónicas, mas também chuchas, roupas e brinquedos de criança, apanhados um pouco por todo o lado.

Os pais de Madeleine continuam a aparecer publicamente para que a filha não caia no esquecimento. São comuns as suas declarações em que agradecem tudo o que as forças da polícia têm feito e o enorme apoio das pessoas.

 

“Estamos optimistas e concentrados na investigação.”

Gerry McCann

 

Apesar do ar convicto com que o pai faz esta declaração, os olhos banhados em lágrimas de Kate, o seu rosto claramente transtornado e sofrido, escondido nos cabelos loiros despenteados não engana ninguém. A esperança começa a morrer e o desânimo a tomar conta da mãe de Maddie. O facto de as operações de busca terem cessado levou as últimas forças de Kate. Ao fim destes 9 dias do desaparecimento da filha, deixa de ser a menina a fazer as capas da imprensa, que passam a dar relevo à mãe, visivelmente mais magra e abatida, não conseguindo evitar as lágrimas. Kate espelha o sofrimento amargo de uma mãe cuja filha desaparece. Não larga o peluche favorito de Maddie, um gato cor de rosa, onde quer que apareça. Kate e Gerry reduzem as suas saídas à igreja, à piscina ou à creche com os gémeos de 2 anos, Sean e Amelie.

Apesar dos esforços para encontrar Madeleine superarem todos os outros sentimentos, há, na população portuguesa, um sentimento residual de culpabilização da negligência dos pais. Os turistas ingleses defendem os pais, alegando que é um hábito britânico deixar os filhos sozinhos em casa.

 

“Como é que um casal de dois médicos ingleses deixa três filhos de 2 e 3 anos de idade sozinhos em casa, para ir jantar ao lado, num restaurante? Ninguém, como é natural, poderá condenar a negligência dos pais a mais do que a terrível dor que eles devem estar a viver e que viverão o resto da vida (mesmo que tudo ainda acabe bem), mas o respeito por essa dor não pode também servir de mecanismo de transposição de responsabilidades para cima do elo mais fraco e apetecível para os tablóides ingleses que é a nossa polícia.”

Miguel Sousa Tavares

 

Esperemos que esta história, com o belo nome de Madeleine, tenha um final feliz. Uma coisa é certa: nunca esqueceremos os lindos olhos verdes e cabelos loiros de Maddie e a angústia da família McCann.

Vânia Caldeira

P.S. Se viu esta menina contacte: 218641000, 282762930 ou 282405400

publicado por Vânia Caldeira às 15:56
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