Para sonhadores... Deixem-se levar... O blog mudou de cores, mas os sonhos são os mesmos...

26
Nov 06

 

Fecho os olhos por instantes.

Abro os olhos novamente.

Neste abrir e fechar de olhos

já todo o mundo é diferente.

Já outro ar me rodeia;

outros lábios o respiram;

outros aléns se tingiram

de outro Sol que os incendeia.

Outras árvores se floriram;

outro vento as despenteia;

outras ondas invadiram

outros recantos de areia.

Momento, tempo esgotado,

fluidez sem transparência.

Presença, espectro de ausência,

cadáver desenterrado.

Combustão perene e fria.

Corpo que a arder arrefece.

Incandescência sombria.

Tudo é foi. Nada acontece.

 

Porque no dia 24 de Novembro se celebraram 100 anos desde o nascimento de um dos meus indubitáveis poetas favoritos, de nome: Rómulo Vasco da Gama de Carvalho, que não foi um descobridor da Índia, mas foi, certamente, um dos descobridores da língua portuguesa, uns dos que melhor navegou nos mares da poesia e da imaginação. A ele este poema... porque tudo é foi.

publicado por Vânia Caldeira às 21:03

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